sexta-feira, 10 de junho de 2011

As vezes queria ter uma vida normal.
Queria ter pais normais, e vê-los todo dia. Queria nunca ter conhecido cigarro, bebida, drogas, maldade. Ter ido na escola normalmente, ter aprendido, ter crescido, ter respirado. Queria ter sofrido menos, ter visto e ouvido menos. Queria não ter me tornado o que me tornei, pelo menos por um dia, pra saber como é. Queria não ter conseguido o que eu quis, pra saber onde estaria agora. Queria ter ouvido um "não", mesmo quando eu queria um "sim", pra saber o que eu perdi.
Eu imagino mil coisas, imagino como eu seria agora, o que estaria fazendo, o que estaria sentindo e o que estaria pensando; como estaria vestido, cheirando e vivendo. Saber quais seriam os meus medos, se seria tão orgulhoso e se levaria o amor mais a sério.
Não sei se teria chorado pelo que chorei, nem lutado pelo que lutei.
Não sei se eu escreveria esse mesmo texto, qual parte eu mudaria e qual parte me arrependeria.
Não sei se escreveria com a mesma dor, com a mesma raiva, a mesma angústia.
Não me conheço tão bem assim, e ninguém, nem mesmo eu, pode conseguir.

domingo, 15 de maio de 2011

Vida

O que me tornei, o que já fiz, o que já senti, o que conquistei, o quanto sorri, venci e perdi. Consegui tudo que eu queria, mas não cheguei onde quis. Fui feliz quando tive que chorar, e sangrei quando o mundo sorriu. Enfrentei coisas que ninguém imagina, e superei; lutei contra demônios, que poucos já viram, e ganhei. Não tive medo, não tive pena, não tive amor. Aprendi a esperar apenas o mínimo das pessoas, e elas nunca passaram disso; aprendi a ser forte, ou, então, frio; aprendi a lutar com os olhos, e a chorar sem lágrimas; aprendi que o caminho mais fácil nem sempre é o menos dolorido; e aprendi que sofrer é apenas uma opção. Escondi o amor num lugar escuro, e deixei o ódio em seu lugar. Escrevi coisas que ninguém entendeu, nem mesmo eu. Gostei do que não deveria, mas nunca descobriram. Fiz chorar quem eu amava, e não sabia. Deixei pra trás o que mais me fazia feliz, e não achei que era o fim.
Sou quem achei que jamais seria, sou o exemplo ruim que me ensinaram a não ser, sou a minha dor e o meu amor, sou minhas atitudes e um pouco das minhas palavras, sou diferente e igual a tudo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

As coisas mais simples são as que mais me machucam e as que mais me fazem feliz.
Olha que estranho ver você chorando enquanto eu estava até pensando em te fazer feliz, em dizer que você me faz perder o sono e que seus olhos fazem os meus se abrirem..
Olha que estranho ver você dizendo que doeu, que essas fotos você nunca vai apagar. Eu já quis te entender, mas eu me perdi antes mesmo de começar…
E olha só as cartas que eu fiz, todas elas para o dia que você quisesse ler, eu sei.. você nunca teve tempo e eu não te julgo, eu apenas queria esquecer…
E eu te digo que é lindo o seu sorriso, que a sua voz me deixa feito um menino que não sabe nem mesmo o que é o amor…
Você olha meu cabelo bagunçado, me diz que eu sou e sempre fui muito largado e nunca seria a pessoa certa pra você….
O que não sabe é que dentro de um corpo tatuado, bate um coração que por sua culpa vive apertado e eu não sei quando vai parar, eu só queria esquecer…
Que toda vez que eu fecho os olhos eu te vejo, todo dia quando acordo eu me lembro que nós dois nascemos pra ficarmos longe, eu só quero esquecer..
É quando o coração explodi
e essa merda toda me machuca

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Preso


No quarto as notas soam
a minha vontade é de dormir
e acordar em outro ano
ou talvez em outro mundo.
A chuva tenta entrar pela janela
e eu fecho antes que seja tarde
o frio ainda não chegou
mas eu torço pra quem venha logo
e congele todas essas gotas
junto das minhas lágrimas
e que traga algo bom
que eu possa guardar pra mim.
Durante a noite eu ouço vozes
e me dizem que estou louco
que a verdade eu mesmo guardo
mas também as consumo
e a mão estendida não é firme
não consigo me segurar.
Em volta tudo bagunçado
tudo jogado e espalhado
as cartas que eu fiz pra alguém
que eu ainda não sei quem
e as vezes acho que é pra mim
fingindo esquecer quem mandou..

sábado, 1 de janeiro de 2011

Carta


Por aqui os dias estão indo bem
de coração espero que aí também
faz tempo que eu não te vejo
nem da sua voz direito eu me lembro

Seu cheiro já sumiu
Suas fotos já se apagaram
a saudade não me machuca mais
e as horas não são mais iguais

Eu queria poder te ver todos os dias
sentir um abraço forte como de rotina
queria te fazer se sentir orgulhosa
e me desculpa pela demora

eu tentei escrever várias vezes
e queria perguntar por onde esteve
mas o medo e a insegurança
foram mais fortes que a esperança

e por que? eu me pergunto todos os dias
por que estou tão longe da minha vida?
será que se eu dissesse que te amo você se alegraria?
da ultima vez disse que nunca mais ligaria

Não importa, é uma carta sem resposta
é uma saudade vitoriosa
por ter aguentado sem chorar a sua ausência
por não ter lembrado do seu adeus

Se alguém escreve certo por linhas tortas
eu só posso me desculpar pela demora
mas você entende que não é fácil assim
escrever tudo o que você já sabe sobre mim?